
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
acorde de coeur
Decidi que vou escutar meu coração.
Não daquela maneira que todos costumam dizer, um conselho quase banal e mentiroso da sociedade. Quero escutar a sonoridade exata que venha do meu peito. O tum tum tum no acorde perfeito. A nota que começa e a que termina para que depois comece outra. Meu coração em nota Sol. Qual será seu timbre?
Para ouvir a melodia que meu coração carrega em Si, preciso fechar as janelas do quarto e dos pensamentos e fechar os olhos e parar. Respiro. Paro. Escuto.
Meu coração é quase um poliedro de sons. Notas, acordes, pausas, fermatas. Melodias inúmeras que se misturam. Envolto de um timbre grave, escuro. Por dentro é agudíssimo, soprano, tenor. Meu coração: mistura de Billie Holiday com Gal Costa. Canções de ópera nas bordas. Batidas de pandeiro no fundo. Dorival Caymmi em camadas. Piazzolla de vez em quando. Bjork pra respirar mais fundo. A canção do dia é Gabriela.
Meu coração tem também sons indecifráveis. Alguns estranhos, outros comuns. Em algumas horas do dia ele produz uma batida diferente só pra me enganar. Logo percebo: fingimento. O coração gosta de criar músicas mentirosas.
Meu coração tem um constante tic-tac de ansiedade. Apesar de detestar relógios e datas, o tic-tac espera por alguma coisa que eu não sei bem o que é. Espera ansioso, mentiroso. Não sabe o que quer. Quer muito. Quer demais.
Meu coração precisa de silêncios pra que novas estruturas melódicas se criem. Algumas vezes se cala, finge de mudo. Psiu. Parece endurecer, mas está ali. Forte. Presente. Foi calado que meu coração aprendeu a ouvir. Observa o mundo de longe. Espera quietinho, escuta. Aprendi a escutar os silêncios. Escutei: “quanto mais amo mais calo”. Me calei.
O tic –tac se mistura com os tum tum tums das possíveis batidas. Meu coração não se cansa, não sei bem porquê. Bate feliz, é verdade. E quer muito. Quer demais. Novas melodias, outros silêncios, batidas indecifráveis, acordes dissonantes, tudo ao mesmo tempo. Meu coração atrás de um tic-tac imperfeito.
Para ouvir a melodia que meu coração carrega em Si, preciso fechar as janelas do quarto e dos pensamentos e fechar os olhos e parar. Respiro. Paro. Escuto.
Meu coração é quase um poliedro de sons. Notas, acordes, pausas, fermatas. Melodias inúmeras que se misturam. Envolto de um timbre grave, escuro. Por dentro é agudíssimo, soprano, tenor. Meu coração: mistura de Billie Holiday com Gal Costa. Canções de ópera nas bordas. Batidas de pandeiro no fundo. Dorival Caymmi em camadas. Piazzolla de vez em quando. Bjork pra respirar mais fundo. A canção do dia é Gabriela.
Meu coração tem também sons indecifráveis. Alguns estranhos, outros comuns. Em algumas horas do dia ele produz uma batida diferente só pra me enganar. Logo percebo: fingimento. O coração gosta de criar músicas mentirosas.
Meu coração tem um constante tic-tac de ansiedade. Apesar de detestar relógios e datas, o tic-tac espera por alguma coisa que eu não sei bem o que é. Espera ansioso, mentiroso. Não sabe o que quer. Quer muito. Quer demais.
Meu coração precisa de silêncios pra que novas estruturas melódicas se criem. Algumas vezes se cala, finge de mudo. Psiu. Parece endurecer, mas está ali. Forte. Presente. Foi calado que meu coração aprendeu a ouvir. Observa o mundo de longe. Espera quietinho, escuta. Aprendi a escutar os silêncios. Escutei: “quanto mais amo mais calo”. Me calei.
O tic –tac se mistura com os tum tum tums das possíveis batidas. Meu coração não se cansa, não sei bem porquê. Bate feliz, é verdade. E quer muito. Quer demais. Novas melodias, outros silêncios, batidas indecifráveis, acordes dissonantes, tudo ao mesmo tempo. Meu coração atrás de um tic-tac imperfeito.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
domingo, 16 de setembro de 2007
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
centro-me
Fiquei o dia todo a sua espera.
Quem você é, não sei. O que é também não me interessa. Fiquei a espera Disso: uma sacudida, um espasmo, um barulho incompreensível, uma pausa. Fiquei a espera de uma flecha que atingisse o centro do meu corpo – não o umbigo, que todos imaginam ser o centro do corpo, mas aquela parte que fica logo acima do estômago, logo abaixo do intervalo que existe entre os seios, aquele ponto do corpo que dói quando sentimos angústia. O centro do corpo é aí: no ponto da angústia. Angústia pura: fiquei a espera.
Eu queria uma voz que me acalmasse, uma melodia nova, uma cor de laranja no céu. Queria um instante em que tudo fosse possível – ou impossível. Queria um espanto, uma tosse, uma pontada nos ouvidos, um mergulho no intangível, um riso fantasiado, um escorregão, um salto na penumbra, um sabor novo e comum. Queria um aperto forte nos ombros, desses que erguem a gente para as nuvens. Queria um caminho atravancado que me fizesse mudar de direção, queria tornar a visão tortuosa por lágrimas, pálpebras de neblina. Queria um espirro, um grito ou simplesmente, um silêncio. Um silêncio com presença. Queria assim, simplesmente: algo que me arrebatasse.
Fiquei o dia todo a sua espera.
Espero.
título criativa : mil-ena
sábado, 1 de setembro de 2007
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
palavras da andorinha
"Eu me apego ao amor pra compensar todas as outras coisas que sei que não sei fazer. Esse mecanismo que a gente aprende: amenizar as falhas."
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
"mil perdões"
Eu estou aqui para te pedir perdão.
Sem moralismos, sem demagogias, sem fingimentos, venho te pedir perdão por tudo isso e um pouco mais, e são tantos issos e tantos mais que tudo parece não caber nessa pequena palavra - palavra tão sonora, tão pesada: Perdão. Palavra pesada que busca leveza. Já disseram por aí que “é preciso ser leve como o pássaro e não como a pluma” e isso talvez signifique que para se alcançar a leveza é necessário uma espécie de vôo para um outro espaço, outro instante, outra ótica. Outra perda? Preciso pedir perdão para me tornar mais leve.
Diante disso tudo e um pouco mais, peço antes de qualquer coisa, perdão por isso: o demais. Os mais velhos sempre me alertaram: “É bom evitar os excessos” e eu, desde menina, cheia de vontades, decidi que seria muito. Sempre muito. E assim fui muita coisa, mergulhei em tudo que queria mergulhar. Mergulhei você.
Você também queria ser muito e nunca conseguiu. Havia em você uma falsa vontade de querer algo, qualquer coisa, e nada. Você nada queria. Assim, talvez por causa disso, resolvi pra mim mesma que viveria tudo quase em dobro, em triplo, para compensar as suas fraquezas em querer.
O desejo perigoso de se lançar fez com que eu me lançasse a você e a tudo. Perdão: foi demais. Queria te ter por inteiro, queria que me tivesses por inteira. Queria que você conseguisse tudo aquilo que pudesse, em algum instante, querer.
Perdão. Você nunca quis nada.
Depois dum mergulho tão fundo você passou a querer menos ainda as coisas. Se já nada queria, passou a negar até isso mesmo: o nada. Perdão. Eu sempre tive essa mania de querer preencher o “nada” com poesia.
Em tudo ou nada, sempre o mesmo, os mais velhos me alertavam: “É bom evitar os excessos. Não se pode doar por inteiro para ninguém”
Preciso pedir pra me tornar mais leve: Perdão.
E agora, um vôo.
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