terça-feira, 30 de agosto de 2011

a espera

ser porque sou seu
minha dor
fica
amor ou seu ou outro
em mim
se nem o não sonha


eu você nos breu
eu você
nós
ser.


a espera. francesco napoli.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

miranda july #2


ruína

"Um monge descabelado me disse no caminho: eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha idéia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado pro arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.)


Continuou: digamos a palavra amor. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como um lírio pode nascer de um montouro.
E o monge se calou, descabelado."


manoel de barros. livro sobre nada.

miranda july


saúde

zera a zeza, meu amor
canta o pagode do nosso viver
que a gente pode entre a dor e o prazer
pagar pra ver o que pode e o que não pode ser
a pureza desse amor
espalha espelhos pelo carnaval
e cada cara e corpo é desigual
sabe o que é bom e o que é mau
chão é céu
e é seu e meu
e eu sou quem não morre nunca.


(zera a reza - caetano veloso)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

}}

tenho no peito um pássaro que não cala

terça-feira, 23 de agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

_

passo novo.
adiante.
começar. tentar. querer.
o mar leva embora o que já foi.
o mar traz pra agora o que já é.
um dia depois do outro.
o instante vale mais que o futuro.
amanhã ninguém sabe.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

se

se for pra ter calor, respira junto. se for pra ter espaço, deixa a janela aberta. se for pra voar, que seja a pé. se for pra ficar, que seja bom. se for pra ser simples, que seja eu. se for pra ser confuso, eu tenho calma. se for pra ser bonito, só sendo a gente. se for pra ser único, que seja doce. se for pra ser difícil, não tenho medo. se for pra ser puro, que se misture. se for pra ser muito, que seja assim. se for emoção, melhor viver. se for pra ser tudo, que seja leve. se for pra dançar, que tenha sangue. se for pra existir, não vou ter pressa. se for pra gostar, que seja aqui. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ar

inspira, respira
deixa o coração seguir seu fluxo
seu rumo
tranquilo
que de toda maneira o que já for
já é

sábado, 6 de agosto de 2011

festival das nações

"Olhemos então as nações, essa amálgama de cores e sons e identidades, essa mistura imperceptível de tudo aquilo que desejamos e também de tudo aquilo que nunca poderemos vir a ter. Olhemos as nações e tentemos perceber em que lugar entramos nós, consciências individuais de qualquer coisa que sentimos ser nós próprios. Nada, a esta distância, não se vê nada. Tudo é um enorme saco de gatos onde cada uma das nações luta para ser parte do conjunto. Nada mais que isso."


luis filipe cristóvao.

dans tourbillion de la vie

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

délibáb


“Sempre fui nostálgica, sobretudo do que não chegou a acontecer. Dos deslumbramentos a haver. Concentra-te na felicidade para que eu possa existir nela ainda contigo.”
:: Do livro Fazes-me Falta, de Inês Pedrosa.