domingo, 26 de agosto de 2012

tato

comover-se no silêncio é tarefa para poucos. procurei em você todas as respostas do mundo, a certeza é que nenhuma delas você poderá me dar. agora fico aqui no cantinho, o maior desafio é seguir adiante. ao meu amor por inteiro seguirei atenta, o desejo é não te fazer desaparecer. mas agora o passo já foi dado, a pergunta foi lançada, a tentativa foi feita, o que vier afinal não poderá partir de mim. começo ou fim, que venha. da minha parte, o silêncio é tarefa para resguardar o desejo. se for pra viver o amor de madrugada, o viverei sem medo. tenho vontade de te fazer acordar. ou quem deve acordar sou eu?

terça-feira, 21 de agosto de 2012

caso de amor

"uma estrada é deserta por dois motivos: por abandono ou por desprezo. esta que eu ando nela agora é por abandono. chega que os espinheiros a estão abafando pelas margens. esta estrada melhora muito de eu ir sozinho nela. eu ando por aqui desde pequeno. e sinto que ela bota sentido em mim. eu acho que ela manja que eu fui para a escola e estou voltando agora para revê-la. ela não tem indiferença pelo meu passado. eu sinto mesmo que ela me reconhece agora, tantos anos depois. eu sinto que ela melhora de eu ir sozinho sobre o seu corpo. de minha parte eu achei ela bem acabadinha. sobre suas pedras agora raramente um cavalo passeia. e quando vem um, ela o segura com carinho. eu sinto mesmo hoje que a estrada é carente de pessoas e de bichos. emas passavam sempre por ela esvoaçantes. bando de caititus a atravessavam para ir ao rio do outro lado. eu estou imaginando que a estrada pensa que eu também sou como ela: uma coisa bem esquecida. pode ser. nem cachorro passa mais por nós. mas eu ensino pra ela como se deve comportar na solidão. eu falo: deixe deixe meu amor, tudo vai acabar. numa boa: a gente vai desaparecendo igual quando carlitos vai desaparecendo no fim de uma estrada.
deixe, deixe, meu amor."

(manoel de barros)

ídola coincidências

anna karina, despues yo 

sábado, 18 de agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

-----------> siga

mofo na janela.
fazem alguns anos em que respiro muito mal.
vou ali e volto. com o céu, o vento ou algumas plumas, qualquer coisa leve que me permita ir além.
só voo quando aceitar a queda.

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estupidez.

as palavras em silêncio

cabem melhor
na boca.

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E se eu te disser que eu quero aprender a me
Amar e te amar também ao mesmo tempo?
Você teria tempo?

Os seus lugares são belos
Os seus gestos são tão naturais
Boquiaberto me travo
Por me ver a te admirar demais
Eis que fico fraco
Eu inventei o inalcançável você

Tudo se faz tão perverso
Qualquer impulso meu dilui-se no ar
O igual-pra-igual espontâneo
Perde espaço pro desejo de acertar
E quanto mais espero, mais me nego e mais
Me faço afastar
Eu inventei o inalcançável você
Me fiz escravo do meu medo de ser
E agora preciso me permitir

Pra parar de sofrer
E viver o que é belo em mim
Deixar o medo morrer
E ser o que eu posso ser, enfim

Mas se eu te disser que eu quero aprender a
Me amar e te amar também ao mesmo tempo?
Você teria tempo?

(inalcançável você - leo cavalcanti)

sábado, 4 de agosto de 2012

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o nome disso

chamemos de mágoa. chamemos de raiva. chamemos de desatenção. descuido. tropeço, talvez. a palavra adequada? desordem. confusão. desmedida. impropriedade. exagero. chamemos de ilusão. de crença. de desejo. de vontade. chamemos de paixão. chamemos de horrível. de tenebroso. de egoísta. de estúpido. chamemos de forte. de denso. chamemos de particular. chamemos de sublime. chamemos de leve. de finito. de terreno. de puro. de essencial. chamemos de cansativo. de intolerável. de caótico. chamemos de desigual. de sofrido. de inadequado. de infantil. de ingênuo. chamemos de delicado. de brilhante. de único. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

agosto afeto

faz um ano e você ainda é. não do mesmo gosto, não do mesmo cheiro, mas ainda é. presente, persistente. aqui. comigo sempre, mesmo quando não. 
para atravessar agosto, é preciso revisitar os afetos. aqueles que contam, mesmo quando a vida, por algum motivo incalculado, quase os rompeu. o fio que unia já não é da mesma cor, nem do mesmo jeito. mas ainda é. 

ao revisitar os afetos, te reencontro. talvez o acaso por mero descaso me leve à você.  de volta, quem sabe? talvez não. talvez eu seja pra sempre silêncio - mas meu afeto será e jamais te pedirá algo em troca. saberei me alimentar sem retornos. leve.

dentro de mim, você não morre.