terça-feira, 28 de setembro de 2010

chuva

mundo

"cabe dentro do meu peito um furor de movimentos que não controlo, que não defino. cabe dentro de mim, eu não nomeio. mas os meus braços, as minhas pernas, correm dentro de mim também em prospecção desse rebentamento. cabe dentro de mim, e eu sou enorme. sou as montanhas e os vales lavados a sangue de vida. sou os rios e os mares em marés sempre mais cheias. cabe dentro do meu peito um furor de movimentos que não controlo, e não definho. eu sou um mundo, um mundo, um mundo."

luis filipe cristóvao.

sábado, 25 de setembro de 2010

no corredor dos dias

tem um nome que se repete e traz aflição. é medo de algo muito bom ou muito ruim. é medo porque é qualquer coisa. e qualquer coisa é sempre coisa de muita importância.
nessa tarde clara eu vou guardar todos os pedaços de mim bem longe do computador. invento projetos, metas, qualquer coisa que me distraia de você. e o que acontece? você surge. sem aviso nem recado, você surge.
sua voz engoliu a fronha do meu travesseiro. a janela do carro. as torradas do café da manhã. a passagem de trem. a mentira e o silêncio. sua voz existe em silêncio. 
eu não sei qual é a rota que se traça agora. talvez eu vá preferir ficar calada. talvez eu diga, como quem canta, tudo que se passa aqui, dentro de mim.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

mote contínuo


memória

"pretendes inventar uma biografia onde o mundo esteja sujeito a um interruptor. mas, tu sabes, não funciona. vais continuar a regressar, sempre, ao lugar onde foste infeliz."

domingo, 19 de setembro de 2010

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"saudade até que é bom - melhor que caminhar vazio."

sábado, 11 de setembro de 2010

sei voar mas tenho as fibras tensas

"Ninguém é comum 
E eu sou ninguém 
No meio de tanta gente 
De repente vem 
Mesmo eu no meu automóvel 
No trânsito vem 
O profundo silêncio"

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

precipício

fala-me de precipícios e eu te falarei dos desassossegos  necessários pra traçar um caminho. fala-me de caminhos e eu te falarei de precipícios. eis que me encontro na frente do precipício outra vez, buscando pouso.
se não há pouso pra pausa, não me esquivo de precipícios. se encontro medo, sigo. o tempo passa. as pernas tremem. o corpo cansa. o medo vai. escolhi um caminho que percorre precipícios. a cabeça vai ter que descansar no escuro. de olhos fechados, do alto,  avante, além. estico o braço e vejo o abismo. do abismo o céu. do céu meu corpo, meu despreparo. e já não mais vejo. e salto.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ele diz o que eu quero dizer

luis filipe cristóvao, obrigada por voltar a escrever. você transcreve o que pra mim ainda não virou palavra.
ufa!


"sendo o corpo a entidade que treme, tudo o resto é multidão. não há olhares que meçam a possibilidade do choque, estamos tão bem escondidos, tão difíceis de identificar, tal como estamos expostos a todas as surpresas. caminhamos assim entre duas verdades, não encontrando qualquer conforto na proximidade assim conquistada. ainda assim, o corpo, sim, o corpo, é a entidade que treme. pequenos tremores de terra passam despercebidos em todo o mundo, a cada minuto que passa. o que não dizer dos tremores dos corpos. à volta, a multidão. a multidão comendo refeições rápidas, olhando os relógios, conversando dos empregos, dos problemas de sempre. a multidão com fato e vestido, uniformizados para as sessões laborais do reino. passamos despercebidos, tu e eu? passaram, quem sabe, ignorados, os nossos olhares. o corpo, esse, treme. o corpo treme. as palavras não explicam. as memórias não resolvem. o aparelho não regista. o corpo treme."

do blog dele: www.luisfilipecristovao.blogspot.com

amanhã

tem sido difícil escrever, rabiscar meus caminhos. resta dúvida. inconstância. imprecisão. não sei por onde apontar meu coração. é piegas, mas é isso. queria encontrar uma maneira de ser inteira sem ser sozinha. ou talvez um jeito de ser junto sem perder a dimensão do meu tamanho. e qual é ele? sei lá. do meu tamanho já não sei, apenas pressinto desejos e um tempo que já é outro lugar. minha desorganização tem sido assustadora. sinto-me devorada pelos livros, pelos cabides, pelos papéis da sala e pelos cheiros de ontem. não compreendo qual aresta deixei de aparar e que me tornou assim, tão desigual. aonde foi que perdi o fio da meada? apesar de tudo, resta um amor tão sincero pelas coisas que é ele e somente por ele que me guio. será possível que algum sinal me aponte a direção? é por aqui? hã?

espero sem esperar. e acredito, de olhos fechados, que algo novo bem novo do mais novo velho virá. assim. já.