terça-feira, 20 de agosto de 2013

delicadeza

"sussurrava o vento coincidente.
silenciosos e em química,
encontramo-nos neste setembro.
é primavera!
e houve o toque.
a pele.
houve o impávido e suave acaso à porta,
o inesperado presente.
instantes.
o inevitável desejo à espreita:
revelação.
sentido antigo que esvai, sinto.
sentido antigo que esvai, vai...

existem flores do lado de lá,
talvez existam de cá também.
eu em busca de mim e da leveza impalpável,
ao encontro do meu corpo.
tu em busca de ti e da tua verdadeira face,
dos teus verdadeiros gestos,
do teu mais sincero e estúpido gozo.
límpido!
quero-te em pitadas. quero-te limpa. quero-te tua. 
queira-me como podes, ou como queres, ou como podes querer-me. 
nu.
queiramo-nos como pudermos ser: 
leves.

não há urgência. mas há sinais.
o corpo fala, diz muito.
tem vezes grita.
urra! _________,
sentido vem.
vem...
palavras-tom.
som!
queira-me em silêncio. querer-te-ei assim também.
não me prometa muito,
não me prometa nada,
mas lhe prometo vida.

apenas venha fresta e olha-me nos olhos,
beije-me o teu beijo vermelho, a tua boca vermelha,
os teus lindos lábios vermelhos.
suja-me todo e sinta-me em teu corpo.
tocar-te-ei sem cócegas, então,
como tocam o céu as andorinhas,
como os mais puros acordes arranham-te as costelas.
tocar-te-ei as entranhas até o gozo mais estúpido e límpido da tua alma,
vivo.
e olhar-te-ei enfim como olham os olhos mais possíveis desse impávido e suave acaso:
livres.

sinta-se no instante, deixe se impor sobre o tempo.
o tempo. o tempo. o tempo.
relógio-tempo.
entrega-me um conto e devolver-te-ei uma carta.
sinta-te em teu corpo e suja-te toda com os teus dedos,
olha-te em teu beijo e beije o teu próprio rosto com as tuas palavras doces,
a tua boca vermelha,
os teus lindos lábios vermelhos.
despeça-se viva e toque-se na medida mais estreme da leveza encontrada.
me encontrarás por lá também.

sintamos os sintomas.
sintamos.
sintomas.
uma flor do lado de cá,
uma rosa do lado de lá:
papeis em branco a preencher.
deixe impor-se tácito o tempo
no tempo, no tempo,
relógio-tempo.
e seja como for mesmo no breu do presente:
__________, nova!

escorra-me os teus beijos vermelhos, os teus lábios vermelhos,
a tua boca vermelha, o teu ventre vermelho.
escorra-me toda a delicadeza e a tua verdade impregnadas no teu corpo,
jorra-me!, goza-me!,
goza-me todo!
todo!
delicadeza!
limpa-te e goza-me o teu gozo mais estúpido e límpido sem a pressa de termos,
ou sem a pressa de sermos,
ou de tocarmos as nossas entranhas impalpáveis.
aceitemo-nos sem os espinhos do relógio-tempo no que nos há de melhor por agora,
impávidos.

chamemo-nos suave acaso, ao acaso, e sejamos então.
e enfim.
a urgência mata.
mata.
mata.
goza-me inteiro, 
e por agora.
______________!
dois pontos:

---"

(leonardo beltrão)

amor

"vou aprimorar meu jeito de existir. só pra te ver feliz."

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

mundo nós

o coração às vezes sufoca e tenho medo daquele vazio de sempre. porque sei que você precisa ir. por algum motivo que sei que não compreendo, sei que você precisa ir. precisa mergulhar nesse mundo inteiro pra que alguma coisa nova venha, algum brilho, um fulgor. precisa ir porque a vida é curta e é preciso ir sem medo. e, sim, às vezes sinto medo. mas tenho em mim uma fé enorme que você vai voltar. que estamos juntos. que nosso amor é maior. que nosso tempo é só nosso e não estamos aqui à toa.
mas dói. dói às vezes não saber. dói sentir que você voa enquanto eu mergulho. mergulho em você porque acabei vindo. você falou preu vir e eu vim.
mas amor é uma coisa tão maior que apego. tão maior que o ciúme que às vezes me toma. tão maior que o medo. o amor é maior. e minha vó sempre me disse "sorta, que vorta."
ninguém é dono de ninguém. e se estamos aqui hoje é pela escolha. pelo desejo. pelo que é nosso.
quero que seja leve, que seja doce, que seja lindo. 
nosso amor vai cruzar o mundo e dar a volta por cima. acima de nós, só luz.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

pelo teu caminho eu sigo


Pelo teu caminho eu sigo
mas no meu passo vou
abres-me estradas
eu abro-te os braços
no fim da rua, sei,
estás comigo.

Pelo teu caminho eu sigo
demoro o que demorar
mostras-me a terra
eu mostro-te o coração
no fim da rua, sei,
estás comigo.

(Luis Filipe Cristóvao)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

mundo

sei que vais cruzar o oceano,
o mundo todo na procura desvendar,
não sou quem vai te impedir, amor
de mergulhar tão fundo nessa mansidão
pouco do que sei é da vontade
que toda gente tem de sempre apostar
não sou só espera, sou também calor
daqui eu vejo nossa vida se cruzar
porque eu te amo, eu te amo, eu te amo
a gente sabe que o que é nosso é maior
toda a saudade vai nos conceber
em pouco tempo é só você, e eu, nós, só.

:::

amor,
sonhei com o mar e nossos desejos maré.
vai dar tudo certo. nossos sonhos estão pintados de azul.
a-mar tem que ser leve que nem o oceano.
o mar vai ser nosso elo. já já, nosso mergulho.

domingo, 4 de agosto de 2013

aqui

fazer o exercício constante de se manter no instante presente

eu sou o amor da cabeça aos pés


terra

"de algum modo tudo é feito de terra. um material precioso. sua abundância não o torna menos raro de sentir - tão difícil é realmente sentir que tudo é feito de terra. que unidade. e por que não o espírito também? meu espírito é tecido pela terra mais fina. a flor não é feita de terra?
e pelo fato de tudo ser feito de terra - que grande futuro inesgotável nós temos. um futuro impessoal que nos excede. com a raça nos excede.
que dom nos fez a terra separando-nos em pessoas - que dom nós lhe fazemos não sendo senão: terra. nós somos imortais. e eu estou emocionada e cívica.

clarice l. em 'a descoberta do mundo', no texto 'doçura da terra'.
(enviado pela querida amiga julia panadés)