sexta-feira, 7 de outubro de 2011

.

e seu disser que o tempo urge? e se eu disser que continuo aqui? e se eu disser que o que sinto se expande pra outros sentidos e eu já nem sei que tipo de amor se trata, ou se é amor, ou se é saudade, ou se é vontade? e se eu disser que não compreendo? e se eu disser que compreendo? e que, compreendendo, mesmo assim, tem dor, mas tem também menos desespero, e que o olhar se abre pra outros rumos, outros espaços? e se eu disser que ainda assim quando o nosso olhar se encontra algo além disso tudo ainda é capaz de me invadir, e por muito menos de me fazer desejar, e o que me invade, atravessa, arremessa os braços e transborda? e se eu disser que tudo é mais simples do que parece? e se é simples, por que não? e se eu disser que eu seguro sua mão quando ficar difícil e solto quando for a hora de partir? e se eu não disser mais nada? você diz?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

!

"aconteça o que acontecer, eu sempre vou chorar em português"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

.

desarma
abre o peito
desfeito


e disfarça


despeja o medo
desejo


e desaba

domingo, 2 de outubro de 2011

pressa

"sinto sua mão
mas não consigo te alcançar o braço
será que eu te esqueci naquela mala?
o que dirão então na rodoviária?
quando descobrirem que a minha bagagem de mão
era você
e o que sobrou das suas pernas
me abraça, eu sinto pressa
antes que a gente esqueça
e apodreça
você um pouco mais depressa
se eu beijar seus lábios frios
não chore não
guardei seus olhos 
pra colecionar
seu último olhar
não vá me abandonar agora
me sinto tão sozinho"


pressa. luiz rocha.

canto

para cantar, pense que não é corpo que respira, no sentido de que ninguém tem controle do ato de inspirar e expirar o ar. o mundo respira: inteiro. o mundo respira: completo. o mundo respira: só ele. e talvez o único trabalho do cantor seja estar aberto pro ar que vem do mundo e devolvê-lo pro espaço em forma de som. o corpo é só passagem. 

sábado, 1 de outubro de 2011

.

"Tudo 
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.


Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.


Tudo será
capaz de ferir. Será.
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.


Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.


Toda palavra é crueldade."


(Orides Fontela, "Fala")

:::