segunda-feira, 29 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
sem lugar
Perdi alguma coisa que me era essencial. Alguma coisa preciosa, alguma coisa viva, algum estado ou lugar de onde é possível olhar e reconhecer.
Perdi alguma coisa que angariava grandes certezas. Perdi solos conquistados com prontidão. Perdi afirmações concretas. Perdi pessoas, amizades garantidas, promessas de amores.
Perdi o conforto, perdi a total pureza, perdi o sorriso infantil. Não se trata somente de crescer. Se trata de estar.
São muitos os lugares, muitas as pessoas e de toda a perda resta uma solidão quase incompreendida. É como se contar pro outro não adiantasse. É como se o que perco estivesse ao nível da experiência. Experiência essa que a cada dia atravessa o meu corpo, minhas pernas, meus olhos, minha boca, minha palavra. Vivência direta na pele. Não narrável.
Estou com os pés fincados em algum sítio incerto que aponta novos caminhos (incertos). Na mão direita há uma mala, na mão esquerda, uma gaiola. Elevo o pescoço em direção ao céu, peço ajuda aos antepassados.
Perdi alguma coisa que me era essencial. No peito restam qualidades quase opostas que coexistem juntas na direção dos passos. Medo coragem medo coragem medo coragem medo coragem medo coragem - em pêndulo.
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Há uma travessia a ser percorrida pelas minhas duas pernas, e somente por elas.
quinta-feira, 25 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
novas primaveras
Lavar as mãos pro que não serve mais
Tirar a poeira
dos sapatos
das vertigens
das lamúrias
dar valor aos esquecimentos
Varrer a casa.
ao fim do inferno astral e ao início da nova era. (re) começo.
terça-feira, 2 de março de 2010
mapa
Tem uma estrada que se chama trabalho. É preciso seguir o caminho sozinho pelo seu corpo. Alguns farão companhia, mas o trajeto é feito por dois pés (de quem caminha sozinho). Há possibilidade de recompensa. Não há certeza. Não há garantia.
Tem uma estrada que se chama família. Dessa estrada não se sai e não se volta. Todos os caminhos levam até uma estrada espiralar. Em cada passo fica um pouco do essencial.
Tem uma estrada que se chama saudade. Não há mistério de trajeto, sabe-se aonde começa e aonde termina. Só não se sabe como atravessá-la.
Tem uma estrada que se chama amor. Por ela não se passa nem se fica. O contorno é frágil. A travessia é quase sempre inventada.
"Todos os caminhos
Nenhum caminho
Todos os caminhos
Nenhum caminho
Nenhum caminho - a maldição dos poetas."
(Manoel de Barros)
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
letra minúscula
estou entre um lugar e outro. no vão. no peito bate um coração voraz que só sabe dizer sim - não sabe pra quem diz. carrego nos braços medidas, vertigens, espasmos. o mundo não cabe na palma das mãos.
dói.
o amor que escorre retornará um dia? haverá recompensa? haverá amor?
desperdiço o que me resta pelos arredores.
alguém vai recolher as pétalas.
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