segunda-feira, 2 de março de 2015
domingo, 1 de março de 2015
2.9
morte de tudo que veio, recomeço pro que virá. os pés caminham tortos sem saber, pois todos os caminhos percorridos já não servem. será preciso perder lugares, sim. será preciso perder pessoas, sim. será preciso perder. as bússolas, os mapas, as condutas estabelecidas: esqueça. tudo será novo.
os dias parecem se arrastar como um filme em câmera lenta. as próprias angústias talvez já não sejam mais angústias. é como se os sentimentos de agora ainda não tivessem nome, nem cor. escuridão total. a clareza virá mais tarde.
por enquanto, apenas pântano. perguntas. desconforto. não reconhecimento. coração que urge.
nascer dói.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
binóculos
Acompanhe o pássaro
Mas não atrapalhe o vôo
Não tente olhar com as mãos
Estar perto requer outros dons
De todas as coisas, eu espero que você permaneça
De todas as coisas, eu espero que você permaneça
Em mim
Passarinho quis voar
E voou
Passarinho quis voar
E, realmente, voou
Eu não atrapalho não
Sou dessas que tem binóculos
Eu não atrapalho nunca
Eu tenho um coração de espuma
De todas as coisas, eu espero que você permaneça
De todas as coisas, eu espero que você permaneça
Em mim
De todas as cores, eu espero que você azuleje
De todas as noites, eu espero que você amanheça
No fim
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
domingo, 8 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
como uma linha
se eu te esperasse há apenas 365 dias seria mais fácil mentir. as palavras não sufocariam o peito, os cabelos, a ponta das unhas, o meu silêncio. se eu te esperasse há apenas quatro estações, há alguns dias de sol, outros de chuva, se eu te esperasse com toda a calma de uma mãe que espera um filho, como quem aguarda o inadiável, se eu te esperasse sem retorcer as linhas vermelhas de toda penélope que espera seu ulisses aí, sim, eu chegaria na verdadeira raiz desse ecossistema, na simplicidade, na paz de espírito que jamais habitou meu coração ansioso, meu coração terrivelmente ariano. talvez se eu conseguisse ouvir o teor da espera e compreendesse diferente, talvez se eu não te esperasse desde os tempos imemoriais, desde a linha evolutiva dessa família que desde sempre espera, que desde sempre parte, que desde sempre abandona e retorna, se eu não te esperasse há tantos séculos, há tantas lágrimas, há tantos desejos, há tantas vozes, talvez eu eu tivesse mais calma, talvez um pouco mais de serenidade. mas é preciso que se saiba que te espero há mais tempo que um corpo pode sentir. te espero como quem carrega um continente inteiro, como quem habita um deserto e tem os lábios secos, os olhos duros, os sonhos que navegam em alto mar. te espero na vertigem mais profunda do poema, na lembrança de um vazio, na saudade de um lugar inabitável. te espero no nada, e do nada essa espera me refaz. te espero como a maré.
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