segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
domingo, 8 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
como uma linha
se eu te esperasse há apenas 365 dias seria mais fácil mentir. as palavras não sufocariam o peito, os cabelos, a ponta das unhas, o meu silêncio. se eu te esperasse há apenas quatro estações, há alguns dias de sol, outros de chuva, se eu te esperasse com toda a calma de uma mãe que espera um filho, como quem aguarda o inadiável, se eu te esperasse sem retorcer as linhas vermelhas de toda penélope que espera seu ulisses aí, sim, eu chegaria na verdadeira raiz desse ecossistema, na simplicidade, na paz de espírito que jamais habitou meu coração ansioso, meu coração terrivelmente ariano. talvez se eu conseguisse ouvir o teor da espera e compreendesse diferente, talvez se eu não te esperasse desde os tempos imemoriais, desde a linha evolutiva dessa família que desde sempre espera, que desde sempre parte, que desde sempre abandona e retorna, se eu não te esperasse há tantos séculos, há tantas lágrimas, há tantos desejos, há tantas vozes, talvez eu eu tivesse mais calma, talvez um pouco mais de serenidade. mas é preciso que se saiba que te espero há mais tempo que um corpo pode sentir. te espero como quem carrega um continente inteiro, como quem habita um deserto e tem os lábios secos, os olhos duros, os sonhos que navegam em alto mar. te espero na vertigem mais profunda do poema, na lembrança de um vazio, na saudade de um lugar inabitável. te espero no nada, e do nada essa espera me refaz. te espero como a maré.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
do agora. do sempre.
"o que eu quero é muito mais áspero e difícil: eu quero o terreno"
(Clarice Lispector)
(Clarice Lispector)
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
elos
esta estrutura complexa chamada família. esta linhagem energética. este estado puro. este nunca mais algo diferente acontecerá. este sempre tudo diferente acontecerá. este peito vazio, este peito cheio. este desejo de todas as coisas. este rompimento, este elo. este movimento circular. esta ancestralidade, esta voz. este ensaio sobre o fracasso. sobre o sucesso. sobre a falta. esta desestrutura que move. este percurso que se faz com os próprios pés. este sonho, este além. este eterno recomeço. esta partícula viva. este grão.
domingo, 5 de outubro de 2014
sempre manoel, trazendo luz. a vida precisa de mais vida.
"a maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
nesse ponto sou abastado.
palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
perdoai
mas eu preciso ser Outros.
eu penso renovar o homem
usando borboletas."
é a sua incompletude.
nesse ponto sou abastado.
palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
perdoai
mas eu preciso ser Outros.
eu penso renovar o homem
usando borboletas."
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