quinta-feira, 3 de abril de 2014

trama

carrego nas mãos uma ausência
a saudade leve
a vontade urgente
o tempo que passa
os dedos que escorrem sem pressa
o meu silêncio

carrego nas mãos as vozes de todos os tempos
o meu tempo que já não sei qual é
esse hiato entre o ontem e o amanhã
metade desejo metade escuta
(...)
e meus pés caminham fortes
trocam de direção
se perdem na noite
espero um sinal
espero um aviso
espero uma promessa

carrego nas mãos uma vã filosofia
me apaixonei desse texto
me apaixonei dessa escrita
me apaixonei dessa forma de ver o mundo
me apaixonei pelo seu sintoma

(e sinto-me)
(e sinto-te)

carrego nas mãos uma incerteza
vou pelo mistério que me guia
vou pelo caminho da beleza
qualquer maneira de amor me ilumina.


fragmentos

"um 'koan" budista diz 'o mestre segura a cabeça do discípulo debaixo da água, durante muito, muito tempo; pouco a pouco as bolhas começam a se rarefazer' no último momento, o mestre tira o discípulo, reanima-o: quando você desejar a verdade como desejou o ar, então saberá o que ela é.' 
a ausência do outro segura a minha cabeça debaixo da água, pouco a pouco, sufoco, meu ar se rarefaz: é por essa asfixia que reconstituo minha 'verdade' e preparo o intratável do amor."

(fragmentos de um discurso amoroso. verbete: ausência)

quinta-feira, 20 de março de 2014

quase 28

amanhã sou 28.
daqui, não tenho medo de saturno.
escrevo para lembrar, escrevo para esquecer.
escrevo na tentativa de escrever em mim uma nova história.
sei que sou habitada por intensidades, presenças distantes, lembranças de antes.
mas preciso escrever para pertencer ao agora.
pois que tudo que desejo às vezes me escapa.
mas, de corpo aberto, busco o mundo para além do vazio.
quem inventou o amor não fui eu.
mas acredito.
acredito.
acredito.
e acredito.
como disse uma amiga, "o coração estará sempre na linha de frente".
aconteça o que acontecer.
seja o que for.
venha o que vier.
venha o que não vier.
hoje atravesso a meia noite by myself.
acho que, pela primeira vez, completamente eu.
mas não tenho medo de saturno.
vou rasgar a pele.

sexta-feira, 14 de março de 2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

tarefa

preencher os dias de sentido
e o sentido é construído por si
mas só faz sentido mesmo
quando acontece um encontro
consigo
com outro
com o mundo
pois só faz sentido mesmo
aquilo que vem fundo.

gira!


sábado, 8 de fevereiro de 2014

eu vou dar um grito

eu vou dar um grito
eu vou sacudir
eu quero calar tudo isso aqui dentro
não: eu quero que tudo vibre
eu quero tudo vivo
eu vou
eu vou além, mais do que posso
eu corro, eu corro, eu corro demais
eu choro, eu choro, eu choro demais
eu vou dar um sorriso
pra mim, pra você
pra quem puder perceber
eu vou ser tudo aquilo que eu sempre quis
é muito eu pra pouco verso
quero ser menos, quero ser vênus
quero saber talvez ser atriz
você já sabia, você sempre sabe
eu quero nós dois escorridos na cama
que o amor me guie até amanhã de manhã
até perder de vista o tamanho de mim, sem tamanho
eu vou além, eu quero muito, eu quero tanto
meu tempo é hoje, meu tempo é quando
penduro as preocupações no varal da incerteza
eu quero poder mergulhar na beleza
qualquer coisa de simples que seja só nós
e o que é certo na vida é viver sempre a sós
mesmo que junto, ninguém é muita gente
e eu vou te contar, eu não sou diferente
eu vou dar um grito
assim sem medo, vou gritar sem medida
minha imperfeição é a voz da vida.