terça-feira, 18 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
amor
porque eu tinha muito medo antes de te conhecer. e, antes de te conhecer, uma espécie de abismo habitava meu peito, um silêncio fundo, como parecem as patas de um cavalo a pisar firme à beira mar. e antes de te conhecer tudo se fazia sólido demais, rígido demais, vazio demais. e eu ria e ria e ria a zombar sempre do amor, como naquela música em que se canta "hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito", a achar graça das novelas e dos poetas e das baladas, pois tudo parecia distante, absurdo e vazio de sentido. e eis que te conheço e um sentido se faz. um não: muitos. e um entendimento forte - não este entendimento que se faz balançando a cabeça, tipo quando a gente era adolescente nas aulas de matemática - mas um entendimento que não se faz com palavras, mas com algo muito mais potente, mais profundo, mais real, mais interno, mais, mais, mais. entendi o que poderia ser o amor. e digo "poderia" porque gosto da sensação de descoberta permanente, como se o amor fosse mesmo essa coisa toda que não se fecha em um conceito e sempre se procura, mas, com absoluta certeza, quando é, se afirma. e hoje posso afirmar. e gosto mesmo de dizer hoje porque não existe presente maior do que o próprio presente. e é nele que estamos agora. vivos.
e hoje me sinto assim, como uma célula a cada dia mais viva que floresce e quer crescer. você por perto, sim. e respiro inteira, forte. o abismo virou ar.
sábado, 25 de maio de 2013
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"para além
do funcionamento pleno
o fracasso é também
um modo de ir."
(lindas palavras de julia panadés)
do funcionamento pleno
o fracasso é também
um modo de ir."
(lindas palavras de julia panadés)
domingo, 19 de maio de 2013
chega de saudade
falta sangue, falta suíngue, falta sal. que a crítica não toque na poesia, mas falta calor nos pés, no nosso chão. falta chute no balde, falta raiva, falta aposta, falta mergulho. quem foi que disse que a arte tem que seguir bula? sigo atenta com um medo imenso de quem prega ensinamentos e não permite que a matéria viva do poema, da canção, da dança, da voz, da palavra flua e seja e nasça. pois não escolhi ser artista pra ser burocrata e isso, longe de ser negligência ou preguiça, tem a ver com um estado de ser. um estado de abertura. e é por isso que não acredito em medidas restritivas, assim como não acredito naquilo que de tão gélido não alcança. não me interessa a técnica sem fulgor. não me interessa o talento sem profundeza da alma. não me interessa arte sem generosidade. generosidade de troca, de humanidade, de pessoa. e tenho um desprezo enorme pela impostura, pelo abuso de poder e por quem compreende mal os direitos autorais. e é também por isso que não acredito em salões fechados empoeirados na tradição de um conceito, enquanto o mundo lá fora explode e urge. não me interessam as palavras neo-fofas quando o som ao nosso redor é o grito. não me interessam terminologias que mais ditam do que tocam, enquanto o que é realmente urgente é um novo olhar. olhar prum novo tempo, do aqui e do agora, olhar brasileiro, sul-africano, russo, tcheco, oriental, indiano, escocês, indígena, australiano, polonês, chileno, mexicano, mas que clame por uma sensibilidade potente e honesta. que o olho que olha tenha firmeza. e veja a vida. que não é pouca coisa.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
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