falta sangue, falta suíngue, falta sal. que a crítica não toque na poesia, mas falta calor nos pés, no nosso chão. falta chute no balde, falta raiva, falta aposta, falta mergulho. quem foi que disse que a arte tem que seguir bula? sigo atenta com um medo imenso de quem prega ensinamentos e não permite que a matéria viva do poema, da canção, da dança, da voz, da palavra flua e seja e nasça. pois não escolhi ser artista pra ser burocrata e isso, longe de ser negligência ou preguiça, tem a ver com um estado de ser. um estado de abertura. e é por isso que não acredito em medidas restritivas, assim como não acredito naquilo que de tão gélido não alcança. não me interessa a técnica sem fulgor. não me interessa o talento sem profundeza da alma. não me interessa arte sem generosidade. generosidade de troca, de humanidade, de pessoa. e tenho um desprezo enorme pela impostura, pelo abuso de poder e por quem compreende mal os direitos autorais. e é também por isso que não acredito em salões fechados empoeirados na tradição de um conceito, enquanto o mundo lá fora explode e urge. não me interessam as palavras neo-fofas quando o som ao nosso redor é o grito. não me interessam terminologias que mais ditam do que tocam, enquanto o que é realmente urgente é um novo olhar. olhar prum novo tempo, do aqui e do agora, olhar brasileiro, sul-africano, russo, tcheco, oriental, indiano, escocês, indígena, australiano, polonês, chileno, mexicano, mas que clame por uma sensibilidade potente e honesta. que o olho que olha tenha firmeza. e veja a vida. que não é pouca coisa.
domingo, 19 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
gerenciando vazios
Hoje pensei sobre gerenciar vazios e pensei nesse buraco que
carrego aqui dentro. Esse tamanho de incerteza que me conduz para o mais
incerto de mim mesma. Essa certeza inerte, essa vontade de viver mais do que
posso, de experenciar um pouco de tudo e de ter sempre a sensação de se fazer
muito pouco. Sobre o amor mesmo, aprendi nada. Perdi todas as pessoas que amei. Hoje sei que é preciso gostar com distância, mas me recuso a querer ser
equilibrada demais. Sinto falta de algumas paixões, apesar delas me darem febre. Às
vezes vazio é só fome. Ou sede. Ou vontade de criar problemas. Sei que a minha
inquietude de hoje tem a ver com o pânico constante de me tornar uma dessas
pessoas que simplesmente tiram o lixo da casa, levam o cachorro pra passear e
comem pizza aos sábados no shopping. Vivo constantemente sobre o paradigma da
urgência. Querer que cada instante seja único é o que me faz ser tomada pela ansiedade. E assim vou atropelando as coisas. Tropeçando nas pessoas. Tropeçando
em mim. Não posso querer ser mais do que não fui. Assim como querer ser mais é apenas a
tentativa de se querer ser alguma coisa. Não sei se sou alguma coisa, não sei mesmo. Mas sei que
estou tentando. E tentar ser vale mais do que se colocar em um lugar de
estabilidade. Eu sou aquilo que não prometo ser e a cada minuto que se passa me
desconstruo nesse risco enorme que é a vida.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)


