Hoje pensei sobre gerenciar vazios e pensei nesse buraco que
carrego aqui dentro. Esse tamanho de incerteza que me conduz para o mais
incerto de mim mesma. Essa certeza inerte, essa vontade de viver mais do que
posso, de experenciar um pouco de tudo e de ter sempre a sensação de se fazer
muito pouco. Sobre o amor mesmo, aprendi nada. Perdi todas as pessoas que amei. Hoje sei que é preciso gostar com distância, mas me recuso a querer ser
equilibrada demais. Sinto falta de algumas paixões, apesar delas me darem febre. Às
vezes vazio é só fome. Ou sede. Ou vontade de criar problemas. Sei que a minha
inquietude de hoje tem a ver com o pânico constante de me tornar uma dessas
pessoas que simplesmente tiram o lixo da casa, levam o cachorro pra passear e
comem pizza aos sábados no shopping. Vivo constantemente sobre o paradigma da
urgência. Querer que cada instante seja único é o que me faz ser tomada pela ansiedade. E assim vou atropelando as coisas. Tropeçando nas pessoas. Tropeçando
em mim. Não posso querer ser mais do que não fui. Assim como querer ser mais é apenas a
tentativa de se querer ser alguma coisa. Não sei se sou alguma coisa, não sei mesmo. Mas sei que
estou tentando. E tentar ser vale mais do que se colocar em um lugar de
estabilidade. Eu sou aquilo que não prometo ser e a cada minuto que se passa me
desconstruo nesse risco enorme que é a vida.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
-----<>-------!!!
a vida é mesmo uma coisa muito esquisita. às vezes dá uma curva que faz a gente dar uns passinhos pra trás. e é preciso aceitar o movimento pra seguir em frente. talvez seja um susto, daqueles que fazem a gente saculejar e mudar alguma coisa que já não caminha assim tão bem. talvez seja apenas uma guinada prum grande avanço.
respira fundo.
feche os olhos.
volte pra si.
recorde dos desejos mais importantes.
deseje.
respeite-se.
reveja-se.
veja-se.
mergulhe.
assuma.
aposte.
volte.
vá.
"viver não é parar. é continuamente renascer."
segunda-feira, 1 de abril de 2013
ar puro
mencionou qualquer coisa sobre o tempo e os desejos. molhou os lábios, bebeu um gole de cerveja e saiu por aí a caminhar sem esperar coisa qualquer. fazia muito tempo que não se sentia assim, sem esperar coisa alguma. de alguma forma ia trombando com os desejos e com os acontecimentos como alguém que tromba com alguma coisa esquecida no fundo de um guarda roupa, ou na poeira de uma lembrança bem velha. tinha afeição pelas coisas velhas e de repente olhava os amigos como se todos fizessem parte de um espetáculo, com tramas e dramas tão reais que não pareciam críveis. nada parecia crível, mas tudo parecia muito natural. sentia, pela primeira vez, que algumas coisas estavam dando muito certo. havia adquirido uma espécie de segurança ou de paz interior que não entendia bem se tinha sido conquistada com a análise ou com deus. acreditava em deus? não sabia - e nem isso mais a afligia. tinha a paz de quem habita o instante presente e vive sem querer mais que o desenrolar das coisas possam dar. não havia se tornado uma pessoa apática, mas talvez estivesse aprendendo a focar sua energia. ou talvez estivesse simplesmente feliz por ser capaz de ser uma pessoa. ser uma pessoa era tudo o que queria ser, sem promessas para o futuro, mas na certeza de habitar com toda a força a preciosidade do momento presente. não queria vender loucuras pro mundo, mas conservar o melhor lado de sua loucura. colocar o desejo no lugar certo. e respirar. sem apneia.
sexta-feira, 29 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
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