segunda-feira, 18 de junho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

somos instantes

não se preocupe se eu falar demais. nada é suficientemente absolutamente. somos instantes. um dia é só um dia. uma noite é só uma noite. o acontecimento acontece em um ponto. e é, por excelência, momento. e vai. e volta. e transforma. e os acordos se desfazem. se refazem. e são.
algumas vezes, é bonito permitir impulsos. os desejos têm liberdade de correr sem julgamentos. e as ideias podem mudar. e os instantes, ainda que efêmeros, são cheio de si. cheio de nós.
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fluir é vida.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

( )

meu amor por você atravessará as montanhas. cruzará horizontes interiores sem desejo de desaguar no mar. o mais óbvio do óbvio será impreciso (poético). haverão pontes (limites). pessoas (é difícil aceitar), coisas, distrações, pequenos desastres interiores. nunca saberei (nunca saberemos) para onde estamos indo, nem qual a forma correta de agir. prometi pra mim mesma enxugar as palavras (lágrimas) deixar que os gestos (desejos) digam por si só(s). deixar que inesperado(possível?) nos aconteça novamente. nos conduza sem que a gente perceba. ou não. 
mas o amor atravessará. e ele ficará (permanecerá) até depois do fim do mundo. ele saberá ficar até mesmo quando o ano virar (belo horizonte), quando eu mudar de cidade (rio de janeiro), quando ela voltar pra te visitar (argentina), quando a gente se desencontrar na madrugada (praga). até mesmo no silêncio (londres), na distância (contagem), no cansaço (antilhas), na preguiça (bahia). o amor atravessará.
e, talvez, quando a gente sozinho habitar (ocupar) o silêncio e conseguir se ver com a limpidez (lucidez) de quem enxerga algo doloroso (cheio de vida) que existiu, permaneceu  (permanece) e agora parece ter passado (será?), a gente irá perceber que nada foi em vão.
ou não.

mas o amor (sem dúvida) atravessará.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

gastos

não soubemos lidar com o acaso, não soubemos. não soubemos lidar com o mais surpreendente inesperado que nos acontecia. ficamos presos (tesos) nas nossas memórias. nas nossas estórias antigas. nas estórias cansadas gastas e sombrias que cheiravam a pó, mofo, angústias velhas, certezas passadas, sujas de desilusões sem sentidos nem receitas e que, infelizmente, afirmávamos com quase absoluta certeza ser aquelas desilusões as razões verdades do mundo. não soubemos lidar com o que havia começado a brotar em nós, deixamos que o acaso se interrompesse ao primeiro indício de dúvida, de questionamento, ao primeiro sinal apontado pelos fantasmas que nos atormentavam.
e aqui estamos nós, estatelados, vazios, repletos de emoções velhas e convicções baratas, diante das nossas memórias que fedem a pó.
aqui estamos nós: absolutamente sós.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

de frente pro inexplicável

olhava no fundo bem no fundo daqueles olhos. os olhos eram negros, da cor da pele e dos cabelos. olhava no fundo bem no fundo daqueles olhos e tentava tocar o intangível. desvendar a alma. o mais complexo confuso caótico que habitava ali.
não conseguia entender, já havia um certo tempo que tinha parado de entender as coisas. talvez tivesse apenas desistido de tentar nomear aquilo que não tem forma. nem cor. logo no início do fim, o que havia feito era isso - tentado encontrar as milhões de justificativas que a fizessem entender o porquê do fim. ou melhor: o porquê do não-começo. pois aqueles dois nem haviam começado. ou haviam? para ela, sim. para ele, a pergunta. a eterna pergunta.
para ela, ao tentar encontrar as milhões de justificativas, vieram muitas coisas: a culpa, a desordem, a dor no peito, a saudade, o medo da morte. tudo isso doeu, às vezes ainda doía. nenhuma resposta, nenhuma clareza. e ela foi lançada diretamente ao momento da vida em que se tem que lidar com o inexplicável. e era ali, de frente pro inexplicável, que se encontrava agora.
ela então havia parado de entender as coisas, mas ainda tentava olhar no fundo bem no fundo daqueles olhos que ela havia nomeado de amor. ela sabia que também podia estar confundindo as palavras e os sentimentos, quando se tem que lidar com o inexplicável as palavras podem não caber nas coisas. mas era aquilo que imaginava sentir. e imaginar é quase sentir. e sentir é quase acontecer.
olhava no fundo bem do fundo daqueles olhos esperando pelo momento em que o inexplicável não a arrebatasse mais. o inexplicável haveria um dia de se tornar menos desconfortável. mais possível. 
enquanto isso, o exercício era tentar lidar com o desconforto. com o vazio. com a pergunta sem resposta. com a não correspondência. com o olhar que não olhava de volta.
e ali, de frente pro inexplicável, ela tentava. diariamente.