sexta-feira, 25 de novembro de 2011

instruções para olhar o mar

tire os sapatos quando chegar na areia. afunde os pés. feche os olhos. respire três vezes de forma intensa e tente não pensar em nada. é claro que você vai pensar em alguma coisa. eleja um pensamento essencial, aquele que você não consegue afastar da cabeça há dias. comece a caminhar, lentamente, trazendo o pensamento essencial junto de si. se o pensamento se esvair ao longo dos passos, é porque não era tão essencial assim. neste caso, alegre-se com o fato de você conseguir olhar para o mar sem pensar. comemore essa liberdade. aproxime-se da beira do oceano, deixe que a água molhe a pontinha dos pés. dê tempo pra isso, o tempo que julgar necessário. abra os olhos com leveza. respire três vezes - de forma curta. largue o pensamento ali. se tiver vontade, abra os braços. se achar excessivo para o momento, apenas mergulhe.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

pés

O tempo voa pra tão longe
Sem despeito, sem alcance
Sem limite
Tudo é breve

Nossa vida
aonde foi minha memória
Foi-se um rio de janeiro
Num despejo
Simultâneo

O que nos resta nesse instante
Seus olhos foram para aonde
Que não vejo
Nem me vejo

Aos poucos caminham os pés
Meus pés que sem você
Não sabem onde ir
Não sei o que sentir
Nem sei quem você é
Como posso enxergar o fim?
Um dia vai passar a dor
De crer em um amor
Que alguém me prometeu
Aos pés
Meus

Meu peito afoga-se em silêncio
Corro riscos lentamente
E não minto
Nem pretendo

Nossa estória onde foi a mancada
Quando foi que nos perdemos?
No presente?
Na lembrança?

O corpo cansa de tanta demora
Se eu não posso perder tempo
O que espero?
Ou te espero?

Aos poucos caminham os pés
Meus pés que sem você
Não sabem onde ir
Não sei o que sentir
Nem sei quem você é
Como posso aceitar o fim?
Um dia vai passar a dor
De crer em um amor
Que alguém me prometeu
Aos pés
Teus

letra ainda sem música

domingo, 20 de novembro de 2011

amor

"Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que, de um dia para o outro, a tua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?"

inês pedrosa

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o beijo


"Primeiro vêm perguntas, do tipo, como vão as coisas, ou em que pé estão os preparativos para o fim de ano. Depois vêm outras. O cabelo continua o mesmo. Faz quanto tempo que você não o corta. Tudo com interrogação no final. E o Japão, ainda te fascina. As palavras, a multiplicidade. Ontem eu me lembrei de uma frase sua que eu não vou esquecer nunca. Eu sinto que nunca nasci. Pois eu sinto que já morri. É a mesma coisa? Belo Horizonte e eu ultimamente: bebo muita água. Acabei de encher duas garrafas e ambas já me miram esvaziadas. Jogo futebol toda segunda-feira. Não sou craque, mas meto gol, e na terça eu nem ando direito. Depois de passar por Bukowski e o grande herói Henry Chinaski, João do Rio, Machado e outros, me meti numa bela enrascada de 500 e tantas páginas, chamada Cisnes Selvagens. A China é um belo exercício de alteridade. Quase não vejo televisão, e tampouco filmes, mas, recentemente, assisti a um filme devagar quase parando, Um Doce Olhar. Que belo. Não ando muito para artista ultimamente. Não me interesso. Mas comprei dez estatuetas de formiga para presentear meus queridos no Natal. Se você estivesse por aqui, certamente levaria para casa um belo inseto enferrujado de aço forjado. Ano passado eu só presenteei as mulheres. Este ano é dos homens [mas eu abriria uma exceção pra ti]. E eu adoro formigas. Também gosto de ratos e porcos porque recentemente descobri coisas inacreditáveis sobre eles. Os porcos têm pensamento simbólico. Os ratos têm linguagem tão complexa quanto a nossa. Mas eu fico bem humano, admirando com meus olhos de estrangeiro as obras de deus. Não espero nada de 2011. Só sei que de vez em quando vai chover. Lá fora e aqui dentro. Bom, aí vai meu coração. Um beijo."

o beijo, renato jacques. 
eumeiodofim.wordpress.com