segunda-feira, 29 de agosto de 2011

voler

um passo pra trás
dois pro arroubo

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

miranda july #2


ruína

"Um monge descabelado me disse no caminho: eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha idéia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado pro arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.)


Continuou: digamos a palavra amor. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como um lírio pode nascer de um montouro.
E o monge se calou, descabelado."


manoel de barros. livro sobre nada.

miranda july


saúde

zera a zeza, meu amor
canta o pagode do nosso viver
que a gente pode entre a dor e o prazer
pagar pra ver o que pode e o que não pode ser
a pureza desse amor
espalha espelhos pelo carnaval
e cada cara e corpo é desigual
sabe o que é bom e o que é mau
chão é céu
e é seu e meu
e eu sou quem não morre nunca.


(zera a reza - caetano veloso)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

}}

tenho no peito um pássaro que não cala

terça-feira, 23 de agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

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passo novo.
adiante.
começar. tentar. querer.
o mar leva embora o que já foi.
o mar traz pra agora o que já é.
um dia depois do outro.
o instante vale mais que o futuro.
amanhã ninguém sabe.