domingo, 31 de julho de 2011

sábado, 30 de julho de 2011

"as coisas simples nascem como as árvores. quando recentes, parecem crianças sem esqueleto, pequenos ramos trémulos e inseguros, sem cor. chegam junto dos nossos olhos e ouvidos, sussurram-nos desejos, abraçam-nos. as coisas simples, de pequenas, tornam-se grandiosas, imprescindíveis. as coisas simples são como as pessoas que amamos."

luis filipe cristóvao

sexta-feira, 29 de julho de 2011

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fala

Quisera uma linguagem que obedecesse a desordem das falas infantis do que as ordens gramaticais (...) Pois eu quisera modificar nosso idioma com as minhas particularidades. Eu queria só descobrir e não descrever (...) 

Manoel de Barros )

domingo, 24 de julho de 2011

urgência

entendi que é preciso tolerar o tempo e que a saudade vai fazer parte de tudo que já foi importante na vida. a saudade já não é de algo ou de alguém mas, talvez, do próprio tempo e, ela (a saudade), precisa ser gasta como quem tece uma estória dando espaço pro recomeço. entendi que é preciso suspirar três vezes consecutivas nos momentos de ansiedade e caminhar de volta pra casa sentindo a presença do outro, o cheiro, sem se desesperar com o próximo momento em que a presença do outro, o cheiro, estarão de volta. entendi que soltando as coisas elas voltam. entendi que não vale de nada criar maquinarias absurdas na cabeça com a intenção de se prever o futuro e que o mais importante é voltar os olhos pro próprio centro e pro próprio mundo, continuamente, em pêndulo. entendi que voltando os olhos pro mundo é possível se ver o mais íntimo e que o mais íntimo está exatamente nos olhos do mundo. entendi que tudo é vasto demais e que talvez o maior ato político seja preencher cada instante que se vive de urgência. entendi que a urgência faz parte da vida e que uma vida bem vivida não pode ser pensada a partir da noção de economia. entendi que tudo acaba, nada realmente acaba e que se isso tudo, de fato, acaba, é preciso pisar fundo, sem freios, já.