sexta-feira, 29 de julho de 2011

fala

Quisera uma linguagem que obedecesse a desordem das falas infantis do que as ordens gramaticais (...) Pois eu quisera modificar nosso idioma com as minhas particularidades. Eu queria só descobrir e não descrever (...) 

Manoel de Barros )

domingo, 24 de julho de 2011

urgência

entendi que é preciso tolerar o tempo e que a saudade vai fazer parte de tudo que já foi importante na vida. a saudade já não é de algo ou de alguém mas, talvez, do próprio tempo e, ela (a saudade), precisa ser gasta como quem tece uma estória dando espaço pro recomeço. entendi que é preciso suspirar três vezes consecutivas nos momentos de ansiedade e caminhar de volta pra casa sentindo a presença do outro, o cheiro, sem se desesperar com o próximo momento em que a presença do outro, o cheiro, estarão de volta. entendi que soltando as coisas elas voltam. entendi que não vale de nada criar maquinarias absurdas na cabeça com a intenção de se prever o futuro e que o mais importante é voltar os olhos pro próprio centro e pro próprio mundo, continuamente, em pêndulo. entendi que voltando os olhos pro mundo é possível se ver o mais íntimo e que o mais íntimo está exatamente nos olhos do mundo. entendi que tudo é vasto demais e que talvez o maior ato político seja preencher cada instante que se vive de urgência. entendi que a urgência faz parte da vida e que uma vida bem vivida não pode ser pensada a partir da noção de economia. entendi que tudo acaba, nada realmente acaba e que se isso tudo, de fato, acaba, é preciso pisar fundo, sem freios, já.

terça-feira, 19 de julho de 2011

_

vontade de te abraçar forte. de calçar no tempo medidas justas - as nossas. o tempo se refaz pouco a pouco, não como retrocesso, mas como promessa certa de inventar-se. inventar o tempo, desde o início já era isso. meu coração copacabana se esquece de desejos além mar e nem no mar se projeta mais. tudo parece tão nítido. estou com os olhos bem fechados, de peito aberto e pretendo seguir como quem comanda uma primavera inteira, sem dó. 
novos tempos virão trazendo flores, espero. 
entre a minha mão e a sua, um novo aro, um elo.

voz de lá que segue como o rio



(invadir o coração sem limites)

sábado, 16 de julho de 2011