sábado, 25 de junho de 2011

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"Quando a gente se machuca, é que se dá conta de que tem um corpo. Assim como a borboleta ou como a cabra E que tudo o que se é está reunido aqui: nessa cabeça, nesse pescoço, nesse tronco, nesses braços e pernas. Aqui, sob a pele – isso que se abre -, na carne – isso que se corta -, nos ossos – isso que se quebra.  E que tudo o que se é quebra-se com a pele, com a carne, com os ossos. E que tudo o que se é morre aqui mesmo, como esse origami, aqui, esmagado pelas patas deste automóvel, aqui, nada, ninguém, nunca mais."

alicia penna e rosângela rennó, livro "espelho diário".

quarta-feira, 22 de junho de 2011

lava a alma



querendo

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não em mim

terça-feira, 21 de junho de 2011

letuce

"se for pra voar, que seja à pé"

segunda-feira, 20 de junho de 2011

doce presente

"Pode ser que as reflexões muito amargas, quando encheram alguma medida inconcebível, acabem por entornar o coração? É possível que a duração mística e dupla esgotara sua substância de maus sonhos e que ela regressasse do infinito; e é possível que o tempo chegasse perto, em segredo, através de nossos tristes pensamentos, de nos olhar no rosto? Já realizávamos distraidamente o sonho de nos sorrir: Ah! se fosse possível! E fazíamos a cara que nos correspondesse, e pressentíamos o limiar delicioso das lágrimas nascentes. Bastam então aos vivos, que tinham se acreditado eternamente separados, um encontro dos olhos, para que se descubram imediatamente um na alma do outro. Eles reconhecem que aí são deuses, donos de vida e das verdades; e esses deuses mútuos trocam olhares, e põem-se instantaneamente de acordo sobre a necessidade de suas existências!

(O que sou verdadeiramente em ti subitamente me vê por teus olhos) 

(A voz de um fala no outro, e o outro não pode impelir de fazer-se ouvir)"


Paul Valéry.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

cena fulgor

"coisas que se perdem quando são pintadas
- a polpa fresca da fruta
- as asas de um anjo
- as flores da cerejeira
- a luz do sol atrás dos ramos
- o branco da folha de papel
- qualquer cena fulgor"

quarta-feira, 15 de junho de 2011