terça-feira, 21 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
doce presente
"Pode ser que as reflexões muito amargas, quando encheram alguma medida inconcebível, acabem por entornar o coração? É possível que a duração mística e dupla esgotara sua substância de maus sonhos e que ela regressasse do infinito; e é possível que o tempo chegasse perto, em segredo, através de nossos tristes pensamentos, de nos olhar no rosto? Já realizávamos distraidamente o sonho de nos sorrir: Ah! se fosse possível! E fazíamos a cara que nos correspondesse, e pressentíamos o limiar delicioso das lágrimas nascentes. Bastam então aos vivos, que tinham se acreditado eternamente separados, um encontro dos olhos, para que se descubram imediatamente um na alma do outro. Eles reconhecem que aí são deuses, donos de vida e das verdades; e esses deuses mútuos trocam olhares, e põem-se instantaneamente de acordo sobre a necessidade de suas existências!
(O que sou verdadeiramente em ti subitamente me vê por teus olhos)
(A voz de um fala no outro, e o outro não pode impelir de fazer-se ouvir)"
Paul Valéry.
Paul Valéry.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
cena fulgor
"coisas que se perdem quando são pintadas
- a polpa fresca da fruta
- as asas de um anjo
- as flores da cerejeira
- a luz do sol atrás dos ramos
- o branco da folha de papel
- qualquer cena fulgor"
- a polpa fresca da fruta
- as asas de um anjo
- as flores da cerejeira
- a luz do sol atrás dos ramos
- o branco da folha de papel
- qualquer cena fulgor"
quarta-feira, 15 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
vertente
declive: uma palavra bonita. declive: uma palavra que sequer vai esgotar nossos dias, que nem de longe precisam de música, nem de silêncio, só de poesia. pelos dedos escorre a promessa do dia que virá, sem anseio, sem vertigem, sem pressa. pelos dedos escorrem estórias antigas, gastas de conversa e melodia, e dois corações encharcados de mágoa encontram alento na saudade recente. na saudade nova. na saudade gostosa. não é de se prometer juras de amor, nem de querer mais abraços que os braços podem dar conta. não é de se telefonar a todo tempo, nem de estender lençóis brancos nas janelas. é de olhar pro agora, construir passo a passo, sem reza, sem patuá.
é de respirar em uníssono. o que é já está.
é de respirar em uníssono. o que é já está.
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