segunda-feira, 11 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
porta-retrato
ali onde a canção começa, na caixa antiga da memória, na poeira, é que encontramos restos de nós. restos quase esquecidos de tanta solidão, por tanto tempo vivemos mergulhados no silêncio. agora parece que um calor novo habita, um punhal de cores, como se guardássemos saudades em saquinhos compactados em sachês que hoje explodiram. e de novo uma palavra ganha sentido, um olhar que enxerga, um abraço apertado, um mimo. de novo um afeto que tinha se perdido na demanda dos dias, nos desasossegos, no endurecer do nosso coração ganha corpo. é como se ganhássemos corpo de novo e finalmente fosse possível o abraço. o abraço prometido, o abraço que ainda não foi e ainda será, por completo. é como se depois de tanto tempo uma gargalhada cortasse o corredor em estrondo e nos fizesse ouvir: "existimos". e assim iremos abrir as janelas, as portas, as gavetas, deixando que o ar invada o espaço em tons de vermelho, povoando a sala com novos cheiros, uma nova vida habita essa casa.
estamos vivos, meu deus, estamos vivos.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
mundo
"cabe dentro do meu peito um furor de movimentos que não controlo, que não defino. cabe dentro de mim, eu não nomeio. mas os meus braços, as minhas pernas, correm dentro de mim também em prospecção desse rebentamento. cabe dentro de mim, e eu sou enorme. sou as montanhas e os vales lavados a sangue de vida. sou os rios e os mares em marés sempre mais cheias. cabe dentro do meu peito um furor de movimentos que não controlo, e não definho. eu sou um mundo, um mundo, um mundo."
luis filipe cristóvao.
sábado, 25 de setembro de 2010
no corredor dos dias
tem um nome que se repete e traz aflição. é medo de algo muito bom ou muito ruim. é medo porque é qualquer coisa. e qualquer coisa é sempre coisa de muita importância.
nessa tarde clara eu vou guardar todos os pedaços de mim bem longe do computador. invento projetos, metas, qualquer coisa que me distraia de você. e o que acontece? você surge. sem aviso nem recado, você surge.
sua voz engoliu a fronha do meu travesseiro. a janela do carro. as torradas do café da manhã. a passagem de trem. a mentira e o silêncio. sua voz existe em silêncio.
eu não sei qual é a rota que se traça agora. talvez eu vá preferir ficar calada. talvez eu diga, como quem canta, tudo que se passa aqui, dentro de mim.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
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