domingo, 15 de agosto de 2010

?

o que me irrita no mundo contemporâneo é que a gente é permissivo demais.
tudo pode.
sei não: quem disse que ser permissivo não é ser perverso?

início pra samba

a minha tristeza não é só minha

terça-feira, 10 de agosto de 2010

corpo retalho

‎"Nossa arte é feita de restos. São aproveitamentos de materiais e passarinhos de uma demolição. Acho que quando escrevi isso eu falava da realidade do mundo. Me referia às injustiças enquistadas no corpo do velho mundo, que era preciso destruir. Me referia às estruturas podres da civilização. E penso que é com restos dessa civilização que estamos fazendo arte hoje."


Manoel de Barros.

terça-feira, 27 de julho de 2010

experimento devaneio sem consistência

estou só
no quarto, na esquina, na cama de hotel
na estrada vazia, na rua, na lua
na voz, na caixa, na rota, no jota
na estória, na música, na insônia
na chuva, na chama, no cheiro
na casa, no caso, na escada
na espera, na escuta, no sítio
no rádio, no tédio, no prédio
na lápide, na pirâmide, no porão
na tríade, na direita, na esquerda
no alto, avante, no antes
no instante, no entanto, no medo
no riso, no risco, no rútilo
no útil, no pronto, no canto
no escombro, no milímetro, no gesto,
no resto, no escuro, no mínimo,
no justo, no incerto, no sujo
no espelho, no espírito santo
no espaço, no espasmo, no palco
no pouco, no pulo do gato
no gosto, no ganho, no grude,
no susto, no cisco, no lírio
na fala, na lida, na lança
na dança, no dia, na noite
na arte, na tarde, no ano
na certa, na nota, no vidro
no grito, no sim, no também
no mesmo, na mesma, nação
no espirro, no estudo, no então
no colo, na concha, no peito
na palma, no seixo, no chão

quinta-feira, 22 de julho de 2010

voz

do meu canto vai nascer uma saudade.

rumo

o amor me deu as costas de novo, mostrando que um caminho se faz por duas pernas sozinhas, em silêncio. as pernas vão em frente, o amor de costas. talvez num certo momento as pernas possam virar que nem curupira, em direção às costas, que estão sempre atrás. talvez não. talvez o que se tenha pra fazer é sempre caminhar pra frente, em linha reta, abraçado por uma seqüência de árvores.