terça-feira, 27 de julho de 2010

experimento devaneio sem consistência

estou só
no quarto, na esquina, na cama de hotel
na estrada vazia, na rua, na lua
na voz, na caixa, na rota, no jota
na estória, na música, na insônia
na chuva, na chama, no cheiro
na casa, no caso, na escada
na espera, na escuta, no sítio
no rádio, no tédio, no prédio
na lápide, na pirâmide, no porão
na tríade, na direita, na esquerda
no alto, avante, no antes
no instante, no entanto, no medo
no riso, no risco, no rútilo
no útil, no pronto, no canto
no escombro, no milímetro, no gesto,
no resto, no escuro, no mínimo,
no justo, no incerto, no sujo
no espelho, no espírito santo
no espaço, no espasmo, no palco
no pouco, no pulo do gato
no gosto, no ganho, no grude,
no susto, no cisco, no lírio
na fala, na lida, na lança
na dança, no dia, na noite
na arte, na tarde, no ano
na certa, na nota, no vidro
no grito, no sim, no também
no mesmo, na mesma, nação
no espirro, no estudo, no então
no colo, na concha, no peito
na palma, no seixo, no chão

quinta-feira, 22 de julho de 2010

voz

do meu canto vai nascer uma saudade.

rumo

o amor me deu as costas de novo, mostrando que um caminho se faz por duas pernas sozinhas, em silêncio. as pernas vão em frente, o amor de costas. talvez num certo momento as pernas possam virar que nem curupira, em direção às costas, que estão sempre atrás. talvez não. talvez o que se tenha pra fazer é sempre caminhar pra frente, em linha reta, abraçado por uma seqüência de árvores.

margarida, não. árvore!



árvore do acre, foto de ludmilla ramalho.
tem muito brasil nesse brasil.

sábado, 17 de julho de 2010

hoje daqui

| olho aberto 
papo reto 
o peito como bússola |

domingo, 11 de julho de 2010

as coisas migram e ele serve de farol

caetano agora escreve no O Globo e eu leio semanalmente. encontro ali, aos domingos, o artista que não morre nunca.

*"chão é céu / e é seu e meu / e eu sou quem não morre nunca." - zera a reza, caetano veloso.