quinta-feira, 22 de julho de 2010

voz

do meu canto vai nascer uma saudade.

rumo

o amor me deu as costas de novo, mostrando que um caminho se faz por duas pernas sozinhas, em silêncio. as pernas vão em frente, o amor de costas. talvez num certo momento as pernas possam virar que nem curupira, em direção às costas, que estão sempre atrás. talvez não. talvez o que se tenha pra fazer é sempre caminhar pra frente, em linha reta, abraçado por uma seqüência de árvores.

margarida, não. árvore!



árvore do acre, foto de ludmilla ramalho.
tem muito brasil nesse brasil.

sábado, 17 de julho de 2010

hoje daqui

| olho aberto 
papo reto 
o peito como bússola |

domingo, 11 de julho de 2010

as coisas migram e ele serve de farol

caetano agora escreve no O Globo e eu leio semanalmente. encontro ali, aos domingos, o artista que não morre nunca.

*"chão é céu / e é seu e meu / e eu sou quem não morre nunca." - zera a reza, caetano veloso.

silêncio, por favor

ontem cantei com a voz que não é minha, na rouquidão do tempo que meu corpo não conseguiu acompanhar. ele foi até o limite do limite e agora pede clemência: silêncio e pausa. 
pelo meu descompasso recebo abraços e sorrisos. um carinho me é devolvido, como se fosse por ele que eu acordasse altiva todas as manhãs - e talvez seja.
se meu corpo não é mais meu corpo, por onde sigo agora? "qual a tua estrada, homem?" - foi Hilda que me disse isso um dia, embora eu seja mulher. 
sigo em silêncio pelo caminho da voz, em tropeços. faz parte de mim uma solidão que já não tem nome. um homem ao piano disse que devo me perguntar todos os dias por onde seguir e que a resposta estará no meu silêncio. 

dentro de mim, eu sempre soube que o rumo a seguir é o da palavra. a palavra crua: maior do que sobretudo o verso. ainda assim, será preciso encontrar a fermata exata pra poder lançar mundos no mundo.