segunda-feira, 22 de março de 2010

feliz novo ano

novas primaveras

Lavar as mãos pro que não serve mais
Tirar a poeira
dos sapatos
das vertigens
das lamúrias

dar valor aos esquecimentos

Varrer a casa.


ao fim do inferno astral e ao início da nova era. (re) começo.

terça-feira, 2 de março de 2010

mapa

Tem uma estrada que se chama trabalho. É preciso seguir o caminho sozinho pelo seu corpo. Alguns farão companhia, mas o trajeto é feito por dois pés (de quem caminha sozinho). Há possibilidade de recompensa. Não há certeza. Não há garantia.

Tem uma estrada que se chama família. Dessa estrada não se sai e não se volta. Todos os caminhos levam até uma estrada espiralar. Em cada passo fica um pouco do essencial.

Tem uma estrada que se chama saudade. Não há mistério de trajeto, sabe-se aonde começa e aonde termina. Só não se sabe como atravessá-la.

Tem uma estrada que se chama amor. Por ela não se passa nem se fica. O contorno é frágil. A travessia é quase sempre inventada.

"Todos os caminhos
Nenhum caminho
Todos os caminhos
Nenhum caminho

Nenhum caminho - a maldição dos poetas."
(Manoel de Barros)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

letra minúscula

estou entre um lugar e outro. no vão. no peito bate um coração voraz que só sabe dizer sim - não sabe pra quem diz. carrego nos braços medidas, vertigens, espasmos. o mundo não cabe na palma das mãos.
dói.
o amor que escorre retornará um dia? haverá recompensa? haverá amor?
desperdiço o que me resta pelos arredores.
alguém vai recolher as pétalas.

um pouco de mais vermelho no mundo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

montanha russa

Porque a gente sempre sabe quando alguma coisa termina.
_

Talvez pior.
A gente sempre sabe quando alguma coisa começa.

sábado, 16 de janeiro de 2010

ouça Cat Power

abraço


"o abraço ainda não foi o abraço e já foi o abraço mesmo antes de o ter sido. os teus olhos fundos no meu peito, a forçarem a entrada, e eu frágil, deixando tudo. o abraço ainda é um projecto e já tem tantas fundações quanto os desejos, quanto os sonhos que vamos inventando nos momentos mortos dos nossos dias. o abraço ainda não foi e já é, um contínuo aproximar, até que o seja, completo."

por luis filipe cristóvao, que às vezes diz aquilo que eu quero dizer.

ler ao som de Cat Power ("Names").